Primeira Parte.
Ensaio sobre a morte.
Preparo com minha falta e falsa capacidade, um ensaio sobre a aceitação da destruição vil e sincera da vida.
Não me vejo como alguém espiritualmente qualificado para se falar dos anseios que precedem à morte. E o que é uma morte sem anseios a respeito da continuidade? Explicarei.
Quando pequeno sentia medo da morte que era vista pelos olhos de minha mente com o vazio final, o encerramento da peça dramática em que só você assistia e participava penso que essa sensação é bem comum nos diretores de grandes filmes, Bazin provavelmente aplaudia os próprios filmes e a morte nada mais seria do que a certeza de ter terminado a sua dramática e enfadonha existência, via a morte em desenhos alguns personagens explodiam e voavam pelos ares em pedaços e depois em alguma cena ou episódios seguintes eram demonstrados a consciência desse personagem ponderando sobre a morte e sobre os amigos e parentes que perdeu e a falta que sua pessoa faria para os outros.
Invejei a consciência de um desenho desde o primeiro momento em que percebi a minha falta da mesma.
Passei o resto de minha vida fazendo aquilo que os serem em comunidade devem fazer, disputando. Disputando um lugar ao sol como dizem os filósofos idiotas.
Considero a filosofia como um caminho tortuoso e inóspito ao qual não só devem ser os que têm caráter, pois as pessoas com caráter é que querem saber das coisas para que possam demonstrar com muito fervor a capacidade que possui erguer e enaltecer como fazem os musculosos rapazes de academia, cada músculo de seu cérebro e cara centímetro da sua massa cinzenta recheada com Platão, Diógenes, Cícero e o ultimo celebre em alta de que me lembro Descartes.
Já os que não se consideram com caráter o suficiente para percorrer o caminho dito como “O caminho da iluminação” prefere simplesmente andar pela direção contrária, pelo meio da savannah do próprio cérebro e repartindo com o facão da ignorância cada pedaço desta, olhando de longe os pobres tolos que se dizem eruditos ao repetirem as “palavras sábias” dos sábios de séculos passados, acima de tudo acredito que a inteligência dessas pessoas aplicada no cotidiano garantiria a elas um grande cargo de recolhedor de lixo urbano porque o sarcasmo é necessário quando se mexe com o lixo. Todas as espécies de lixo.
O lixo humano é degradante e um grande contribuidor para o fenômeno plagiado e nomeado “aquecimento pessoal”, um fenômeno no qual somos obrigados a conviver com o lixo passado e recente em um cotidiano sujo e sórdido aonde somos incumbidos de aceitar o pensamento de outras pessoas assim com a natureza aceita o lixo que é jogado pelos seres humanos.
Não foram poucas às vezes aonde o suor me escorre pelas temporas e falta-me o sangue na ponta de meus dedos e sinto o mundo rodar, o espertinho diria: “É amor! É sim! Minha mãe sofreu disso!”. Pois sou obrigado a concordar que é amor, mas um amor latente pela preservação do meu bioma cerebral e não sintético, porque nada nesse mundo é capaz de me reaver o que perdi tendo tantas e tantas conversas estúpidas em minha vida e me lembro até hoje dos pequenos detalhes e estigmas que me foram esfregados, as chagas que nunca vão se curar e que continuam a ser cutucadas. Alguma pessoa ainda tem o despautério de dizer “Deixe me lamber suas chagas!” E não sabem o quão imbecil é o compartilhamento dos sentimentos que só servem para lhe relembrar, e, massacrar de que você precisa dos outros para viver e que a necessidade de contar seus problemas e seus anseios para as pessoas, dividir e levar uma pequena fatia do bolo para as pessoas, ser uma espécie de Madre Tereza ao contrário, com alguma DST, distribuindo seus presentinhos aleatoriamente. O quanto parece imbecil essa divisão de sentimentos esse comportamento sedento de companhia aonde as pessoas se rebaixam a sentir amor e saudade pelos outros que vão em breve, pois a vida não é longa, partir dessa para outra e ainda irão arremessar a culpa sobre o pobre defunto de ter partido e deixado-a nessa situação.
Minha sustentabilidade é pequena porque não me permito crescer ou sonhar. Diga-me é mais fácil cuidar de uma casa pequena sozinho ou de um palácio?
Então adquiro aquilo que, prefiro pensar assim, foi um presente dos céus, uma doença com tempo contado para que tudo acabe, sei dos minutos e segundos, milissegundos que vou viver… Algumas pessoas devem estar a pensar que mudarei meu modo de vida e passarei a ser alguém mais equilibrado, farei isso só que exatamente ao contrário, pois pegarei a pinha picareta da ignorância e cavarei mais ainda o meu buraco de falsa-afirmação e no fundo dele encontrarei o meu outro Eu, que me contara os segredos inócuos da existência pacifica que existe do outro lado, eu não faria uma afirmação falsa quando digo que não sonho com a morte e em como será do outro lado, não sonho porque sei da verdade que me foi dita por mim mesmo.
K 28, 2008 às 12:55 am
Ei!, gostei desse seu canto, talvez porque eu não te conheça nem um pouco e isso deve despertar alguma curiosidade, lendo um pedaço do que te compõe (me sinto uma intrusa, até te peço, perdão!); não posso falar muita coisa sobre os textos já que fico muito confusa com eles, rs… afinal, não sei o que se passa com você.
Gostei disso:
“Minha sustentabilidade é pequena porque não me permito crescer ou sonhar”
na verdade, também pode-se ver de outra forma; sustentabilidade grande pois, não-crescendo e não-sonhando, os pés ficam mais perto do chão e a queda é menor. Isso é otimismo? >.<
mas sua sustentabilidade se refere ao seu campo, que se é pequena ele não é amplo, no qual você vive, hummm e a vida lá fora é de disputas crônicas sobre quem toma um campo maior e quais as chances de se sobreviver.
acho que crescemos mesmo é para os lados! veja, o que nós fazemos senão a infinidade de desejos que nos percorre e queremos satisfazê-los? um aqui, outro acolá, mais um ali, olha, lá do outro lado, porém não alcançamos nada que não tenha a nossa altura (tem gente que tenta, mas essas sobem nos outros)… só pros lados, rs. Veja, que é tudo metáfora, claro. Ficamos “gordos” de tantos sonhos e, de tanta gordura onírica, construímos uma plataforma de sustentabilidade mais forte pras nossas ânsias? Só ela nos segura pro resto da vida.
ai! falei muito, você me fez pensar e viajar, só por causa dessa frase. E falar besteiras.