Dar aos outros o gosto de merda…

Em frente aos olhos cansados só vejo as teclas dispostas como cadeiras de um auditório esperando pelo inicio do show.

Capacidade inalterada e inabalável da criação humana, transcendendo a essência com a impertinência de uma mente aguçada ataca as cadeiras do auditório amassando os espectadores, os intestinos e vísceras se espalham pela cadeira e no mesmo instante tudo se refaz e volta ao normal, com uma calma complacente pensa e amassa mais alguns indivíduos.

A raiva do passado surge repentina e sorrateira, abraça-me pelas costas e passa seus dedos gélidos e mórbidos pelo me rosto uma sensação pesada de carregar todos os acontecimentos da vida pesa sobre cada dedo… Escrever para curar a alma e a cada palavra corresponde aos pontos dados pela enfermeira de olhar triste, é como costurar um boneco, que, pode ser a si mesmo dando pontos a esmo.

Costurando o escuro e dissolvendo o ódio, descontando no papel aquilo que não foi descontado na face de outrem, tapam-se os ouvidos o barulho da natureza e da vida ao redor é pesado demais, o som parece com os das máquinas que trituram carros velhos ao pensar na influência que causou ao seu redor do obrigado e da descrença nos outros pensa em se soltar das amarras que colocou em si mesmo, saltar para dentro da máquina social..deixar seguir o fluxo dessa cachoeira que despenca em torrentes de amores platônicos e fodidos, um mundo de fodidos querendo satisfação acima de todo custo, a garganta queima  e o cigarro falta, nenhuma biboca que possa lhe render uma tragada.

A falta de ar e a queimação a cabeça gira e o ponto negro em frente aos seus olhos aumenta e agora já não tem controle sobre seus dedos que amassam as teclas como se quisesse acabar com toda a humanidade… Que resta dentro de si, despir a donzela e possuí-la, traumatiza-la, correr sua pele, manchar seu rosto,cuspir em seu olho.

No final das contas vai deitar em sua cama sabendo que não fez um bom trabalho.

Deixe uma resposta